As estratégias construtivas e adaptativas, encontradas no CAMPO DA [AUTO]CONSTRUÇÃO, foram registradas em desenhos, calçadas pela premissa de uma moradia habitável, seguro e flexível, a partir do qual os moradores possam decidir conforme suas preferências, necessidades e disposições, nomeada Arquitetura-Suporte.
A partir de quatro atributos, as estratégias foram nomeadas, organizadas e analisadas.*
* refs: Camadas de Mudança (Brand, 1994; Schmidt III; Austin, 2016).
CAMADA
a qual camada pertence a estratégia
PROCESSO
como a estratégia é acionada pelo morador
CIRCUNSTÂNCIA
a situação que o morador enfrenta
AVALIAÇÃO
aspectos a serem considerados
AS CAMADAS
A proposta de Brand (1994), por sua vez, entende que os edifícios evoluem ao longo do tempo e se adaptam às necessidades de seus moradores. Brand expande o conceito de shearing layers, elaborado pelo arquiteto Frank Duffy, e o adapta como shearing layers of change, visando explicar como os edifícios funcionam: (i) terreno (site): o cenário geográfico, a localização urbana, o lote, que permanecem inalterados; (ii) estrutura (structure): o ‘esqueleto’ da casa, incluindo a fundação e os elementos de sustentação; (iii) pele (skin): a parte externa do edifício, relacionada ao isolamento, segurança e proteção, e, em grande medida, à estética; (iv) serviços (services): os elementos que permitem o funcionamento do edifício, como instalações hidráulicas, elétricas, aquecimento, ar-condicionado, além de escadas rolantes e elevadores; (v) espaço (space plan): layout interno, predes não estruturais e elementos como forros e aberturas; e, (vi) mobiliário (stuff): móveis e equipamentos, que estão em constante modificação de acordo com as necessidades dos moradores. A camada social refere-se aos seres humanos dentro e ao redor do edifício (moradores, vizinhos, comunidades); e o entorno refere-se ao contexto físico mais amplo em que o edifício está inserido (edifícios vizinhos, espaço público) (Schmidt III; Austin, 2016).
Brand destaca a importância da flexibilidade e da adaptabilidade como pressupostos de projeto, argumentando que os edifícios inevitavelmente precisam se ajustar às mudanças, de qualquer natureza, ao longo do tempo. Por exemplo, um edifício pode ser projetado e construído com uma estrutura durável que permanecerá a mesma por muitas décadas, enquanto seu interior pode ser facilmente reconfigurado para atender a novas necessidades dos moradores. Com essas abordagens, aumenta-se a probabilidade de os edifícios permanecerem úteis e funcionais por um período mais longo.
As casas [auto]construídas tendem a passar por mudanças mais significativas do que outros tipos de edifícios. O processo de tomada de decisões dos moradores depende das estruturas presentes, evidenciando respostas e práticas construtivas que melhor se ajustam ao que enfrentam e às suas necessidades.
Resultados do eixo “Arquitetura-Suporte”, integrante da pesquisa “Outra lógica da prática para moradia e cidade: o direito de existir” – Chamada CNPq/MCTI n. 10/2023, coordenada pela Profa. Denise Morado.
* Certificado de Apresentação de Apreciação Ética (Plataforma Brasil).
















