Outra lógica da prática para moradia e cidade: o direito de existir
Proposta
A partir da transposição das abordagens transdisciplinares – Cidade neoliberal, Leitura do Lugar, Linguagem de padrões, [Auto]construção/Arquitetura-Suporte, Territórios Minerários, Ecologia Política da Urbanização -, desvelamos criticamente uma outra lógica da prática para a moradia e a cidade que alicerce instrumentos de projeto e planejamento, e de políticas públicas, inclusivos, resilientes e sustentáveis. Novos conhecimentos teórico-metodológicos e resultados propositivos foram originados no sentido de ampliar e assegurar aos moradores o direito de existir.
Direito de existir é a necessidade de livremente pensar e agir na cidade a partir das diferenças que nos constituem, anterior ao direito de acesso à moradia e à cidade.
refs:
. BOURDIEU, Pierre. O senso prático. Petrópolis: Vozes, 2009.
. MORADO NASCIMENTO, Denise. O sistema de exclusão na cidade neoliberal brasileira. Marília: Lutas Anticapital, 2020
. MORADO NASCIMENTO, Denise. O direito de existir nos lugares [auto]construídos. Marília: Lutas Anticapital, 2026.
* Chamada CNPq/MCTI Nº 10/2023 – Faixa B – Grupos Consolidados
** Certificado de Apresentação de Apreciação Ética (Plataforma Brasil), em atendimento à Resolução n. 01/2022 (UFMG).
Objetivos
Investigar se o modo intemporal de construir, proposto por Christopher Alexander (1977), contribuiria para o desvelamento dos saberes e valores compartilhados por quem luta pelo seu direito de existir, de habitar, na cidade contemporânea neoliberal;
Construir estratégias de projeto para a produção tecnológica habitacional brasileira considerando que: (i) a moradia é expressão da vida cotidiana que se transforma ao longo do tempo; (ii) os moradores são participantes ativos nos processos de decisão sobre os espaços; (iii) a flexibilização e mutabilidade dos espaços, atrelados aos recursos naturais, financeiros e físicos disponíveis, são potencializados pelas soluções projetuais e técnicas construtivas, comunicadas e representadas de forma decodificada para quem mora e constrói;
Reconhecer a cidade como um híbrido de natureza e sociedade constituída de densa rede de intrincados processos socioecológicos que são simultaneamente humanos, físicos, discursivos, culturais, materiais e orgânicos, atravessados por relações de poder, portanto diversas e desiguais;
Operacionalizar a “Leitura do Lugar” (Morado Nascimento; Freitas; Nascimento, 2022) de modo articulado às premissas dessa proposta em contextos urbanos selecionados, permitindo-se avançar nos debates teórico-metodológico situado na interface entre a geografia humana e a política, e propositivo no âmbito do planejamento e projeto urbano-arquitetônico.
Desvelar as estratégias institucionais acionadas pelas mineradoras e Estado, configuradas historicamente como modus operandi da atividade minerária brasileira, que destroem as memórias e os modos de vida das comunidades atingidas.
refs:
. ALEXANDER, Christopher.; ISHIKAWA, Sara; SILVERSTEIN, Murray; JACOBSON, Max.; FIKSDAHL-KING, Ingrid; ANGEL, Shlomo. A Pattern Language: Towns, Building, Construction. New York: Oxford University Press, 1977.
. MORADO NASCIMENTO, Denise; FREITAS, Daniel Medeiros de; NASCIMENTO, Gabriel da Cruz. Outro jogo de linguagem como proposta teórico-metodológica da leitura do lugar. Revista de Geografia e Ordenamento do Território (GOT), [s. l.], n. 24, p. 135-159, dez. 2022. DOI: 10.17127/got/2022.24.006.















